Apresentação
pública
Tanques de couros – Fraterna
25 de junho de 2026

























Contextile 2026 apresenta uma edição de maior escala, marcada pela sustentabilidade, internacionalização e a arte como espaço de reflexão
A Apresentação Pública da CONTEXTILE 2026 – Bienal de Arte Têxtil Contemporânea, realizou-se no passado dia 25 de junho, nos Tanques de Couros (Fraterna), Património UNESCO, Guimarães.
O programa da CONTEXTILE 2026, na sua 8ª edição, foi apresentado pela direção artística da bienal — Cláudia Melo, Susana Milão e Joaquim Pinheiro, juntamente com Isabel Ferreira, Vereadora da Cultura do Município de Guimarães.
Estiveram presentes Lala de Dios, curadora e membro do Júri da Exposição Internacional, bem como a artista espanhola IDOIA CUESTA; vários órgãos de comunicação social locais, regionais e nacionais; e vários parceiros da CONTEXTILE 2026.
Além do programa, desvendaram-se curiosidades e novidades desta 8 ª edição, e destacaram-se alguns pontos relevantes que a demarcam e caracterizam:
1. Couros
Património UNESCO, memória e criação contemporânea
A apresentação da 8.ª edição da Contextile decorreu nos Tanques da Fraterna, em Couros (Património UNESCO), um dos espaços mais emblemáticos da memória industrial de Guimarães, profundamente ligado à produção têxtil e aos curtumes.
A escolha deste local para a apresentação pública desta edição não foi inócua: Couros é símbolo da ligação entre a memória industrial e a criação contemporânea que move a CONTEXTILE 2026, ao ser um dos espaços a receber uma intervenção de Ai Weiwei, artista convidado desta 8ª edição, numa aliança entre a memória deste lugar e o desejo de transformá-lo em espaço de pensamento, experimentação e encontro entre artistas e comunidade.
[Inserir áudio – 16: 48 — 17:48 Susana fala do “Património de modo geral e de todos os seus domínios, a comunidade enquanto património)
2. Ai Weiwei
“Tudo é arte, tudo é político”
“Everything is art. Everything is political” (“tudo é arte, tudo é político”) — uma frase de Ai Weiwei que, diz-nos a diretora artística Cláudia Melo, torna óbvia a escolha do artista como convidado desta 8ª edição da CONTEXTILE, ao evocar a relação entre criação artística e intervenção e pensamento críticos pretendida pela Bienal.
As criações de Ai Weiwei abordarão questões como a vigilância, a proteção do património, a memória coletiva e a vulnerabilidade que põe o planeta ‘por um fio’.
3. Porquê “By a Thread” (“Por um Fio”) como tema desta edição?
“By a Thread” (“Por um Fio”) é o conceito que estrutura toda a programação da 8ª edição da Contextile.
Partindo da ideia de que “o planeta, os territórios e as comunidades estão por um fio”, a Bienal desafia artistas, curadores e parceiros a refletirem sobre as múltiplas crises e desafios que atravessam o tempo — climáticas, sociais, económicas, políticas e culturais, e propõe a arte contemporânea como espaço de reflexão crítica, alerta, questionamento e sensibilização sobre estas questões globais; o têxtil como linguagem artística e política capaz de pensar criticamente o mundo contemporâneo; de agitar uma responsabilidade individual e coletiva diante e dentro desses desafios.
Ainda que frágil e facilmente desfeito, é com o fio que se faz o tecido e é para essa capacidade regenerativa de um fio à beira de se desfazer, que aponta a 8ª edição da Contextile — se o fio estica ao ponto de quase se partir, há que tentar reinventá-lo, reutilizá-lo e atentar esperançosamente na sua capacidade de regeneração.
[Inserir áudio – 6:41 — 8: 19 Cláudia Melo sobre a arte como ferramenta crítica]
4. Sustentabilidade
O tempo de paragem como gesto simbólico e a dimensão comunitária deste conceito-chave
Ao assumir-se como preocupação ambiental e compromisso institucional da bienal, a sustentabilidade atravessa toda a programação da Contextile 2026, refletindo-se nas exposições, nas intervenções de arte pública, nas residências artísticas, nas conferências, nos workshops e nos processos de produção, ao envolver artistas, parceiros e a indústria na construção e aposta em práticas mais responsáveis.
Abrindo um dos processos criativos de Ai Weiwei: centenas de fardas militares destruídas e transformadas em fio que é ressignificado e reutilizado, num diálogo entre a criação artística e a reflexão — este é um exemplo das práticas ligadas à reciclagem, nomeadamente através do aproveitamento dos desperdícios industriais —, implementadas durante esta edição da Contextile. Indissociavelmente a essas práticas, a amplitude da filosofia de sustentabilidade inclui uma dimensão social que, nas palavras de Cláudia Melo, se revela fundamental para colocar em movimento e prática esse ideal.
[Inserir áudio – Cláudia Melo sobre a dimensão comunitária da sustentabilidade]
Ao lançar o desafio às empresas parceiras de interromper temporariamente as linhas de produção para acolher e envolver-se com um processo criativo, a Contextile está a sugerir um “tempo de paragem”, que funciona simultaneamente como gesto provocatório, simbólico e político — há uma linha de montagem que se suspende e um ritmo que é reorientado não para a produção habitual, mas para a criação artística. Há uma viragem temporária de paradigma que, a par das práticas da reciclagem e da regeneração, representa também uma das roturas sistémicas rumo à sustentabilidade.
[Inserir áudio – Joaquim Pinheiro sobre o tempo de paragem]
5. A Contextile como plataforma multidisciplinar
Ao longo das suas oito edições, a Contextile deixou de ser apenas uma bienal de exposições para se afirmar como uma plataforma multidisciplinar que é lugar de encontros, debate e reflexão. Esta evolução torna-se clara na programação diversificada, ao integrar exposições internacionais, arte pública, residências artísticas, projetos educativos, conferências, debates, workshops e investigação, consolidando um ecossistema que promove o encontro entre criação artística, conhecimento e participação.
“EMERGÊNCIAS”
Ensino Artístico e Criação Têxtil
Através do programa “Emergências”, e dando continuidade à iniciativa das edições anteriores, a Contextile volta a convidar as escolas de arte que incluem disciplinas do universo têxtil, a envolver os seus alunos para a criação de obras de arte têxtil.
O reforço desta ligação às escolas é apontado por Isabel Ferreira, Vereadora da Cultura do Município de Guimarães, como um dos pilares fundamentais desta 8ª edição da CONTEXTILE, ao voltar a transmitir a Arte como ferramenta de imaginação de propostas e reflexão sobre as transformações sociais; ao desafiar os estudantes a expressarem uma posição política através das suas manifestações artísticas.
A participação alargada de instituições de ensino superior — Escola de Arquitetura, Arte e Design da Universidade do Minho, Escola Artística António Arroio, Escola Artística Soares dos Reis, Escola Superior de Artes e Design, Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, Instituto Politécnico do Cávado e Ave, Universidade da Beira Interior —, vem reforçar o papel da Contextile enquanto espaço mediador de aprendizagem, investigação e inovação, tomando a Arte como ponto de partida para o despontar da experimentação e a imaginação de novos futuros.
[Inserir áudio – Vereadora sobre o reforço da relação com as escolas e a arte como espaço de reflexão]
TEXTILE TALKS
Arte e Sustentabilidade
Dentro da pluridisciplinaridade que marca a programação desta 8ª edição, as Textile Talks foram descritas pela diretora artística Susana Milão como espaço que visará a “divulgação de práticas artísticas dentro e fora do têxtil”, “à partilha do que foi o processo criativo” dos artistas desta edição. Serão 18 conversas, realizadas nos dias 6 e 7 de setembro.
Áudio — (19:51 — 22:05)
6. Entre a tradição têxtil e inovação artística: a importância do trabalho colaborativo e em rede com os parceiros
A Contextile continua a afirmar-se como um ponto de encontro entre a tradição têxtil da região e as práticas mais experimentais da arte contemporânea.
A história industrial de Guimarães, o património têxtil, o conhecimento técnico das empresas e a inovação artística convergem numa programação desenvolvida em estreita colaboração com instituições culturais, universidades, indústria e parceiros nacionais e internacionais.
O projeto de Ai Weiwei é exemplo desta articulação e da importância do trabalho colaborativo e em rede: desenvolvido ao longo de mais de um ano, envolve empresas como a Valérius 360, a Lameirinho, a AOF, a TAEP, R5 Engenharia, a Contraste Lightning Studio, LLD, Moncad, e diversos parceiros técnicos ligados à arquitetura, engenharia e património.
Na Apresentação Pública estiveram presentes diversos parceiros, entre os quais: o Laboratório da Paisagem / Capital Verde Europeia 2026 (parceiro estratégico); a Oficina (parceiro estratégico); a Museus e Monumentos de Portugal / Museu Alberto Sampaio; a Cardan (parceiro de mobilidade); a BLESS Internacional e a JFAlmeida, parceiros da Indústria Têxtil que, além dos representados, incluem ainda a Valérius 360, a Lameirinho e a Têxteis Penedo.
7. Um salto em escala
Por fim, a direção artística da CONTEXTILE 2026 tornou públicas algumas estatísticas desta edição, que põem em evidência o crescente reconhecimento internacional da Contextile e consolidam a bienal como uma das principais plataformas dedicadas à arte têxtil contemporânea: a Exposição Internacional recebeu candidaturas de 1.604 artistas, correspondentes a 2.036 obras provenientes de 80 países, o maior número de participações de sempre. Deste universo foram selecionadas 54 obras, da autoria de 51 artistas, representando 27 países.
Ao primar por uma programação mais diversificada e pelo aprofundamento e extensão das colaborações entre parceiros, instituições de ensino e comunidades, e ao verificar uma crescente internacionalização, a 8ª edição da Contextile representa um salto em várias dimensões, comparativamente à edição anterior.