aBRAÇAr
a trança na Palha

FAFE
EXPERIMENTAR O TÊXTIL

“aBRAÇAr Na Trança da Palha” percorre os caminhos que hoje se desenham no reencontro com o território e a paisagem de Fafe. A este percurso juntamo-nos, abraçados pelas artesãs e pelos que, afoitos, se comprometem em preservar estes passados, para se reinventarem futuros ocupando novas avenidas do saber.
No Museu de Golães, onde nos encontramos para celebrar resistências, podemos ler:
“”Oupa!” Acordar, cortar o jejum, e entrançar duas horitas antes de correr à escola, sacola ao través, lousa lá dentro, tabuada poída, aprender as letras e as contas da vida.
Voltar a casa, brincar a espaços, estoquiar a trança dos grandes, entrançar para ajudar, entrançar a brincar.
Homens às leiras (…) moças às casas (…) serões de todos”

De três braças se apresenta esta exposição:
“Mergulhar nos processos de uma arte vernacular, aprender práticas que se desvanecem, reavivar tradições, criar relações.
Percorro campos de centeio, observando as espigas a dançar com o vento e escutando as suas conversas. Sinto o aroma da ferrã acabada de cortar, cheira a primavera.
Toco nas matérias e vejo como afetam o meu corpo e como os meus gestos as modificam.
Reagimos mutuamente, tecendo encontros e nós nesta rede de ligações que me conecta ao mundo. Aprendo coreografias ancestrais, entre tentativa e erro, e guiada por mestres entrançamos corpos.
Trabalhar a palha permite unir memórias, abraçar novas pessoas e outras ideias,
em pequenos gestos repetitivos e pacientes.
A palha, delicada e frágil, reserva uma resistência e plasticidade surpreendentes:
metáfora da forca e vulnerabilidade humanas. É luz, terra, comunidade.”

O que aqui propomos é um olhar para os fazeres, os convívios, os falares que a palha permite entre entrelaçados gostaríamos de nos metamorfosear a Braços com a comunidade, vindos dela e para ela.