WEAVING THE GREEN / TECER O VERDE
Intervenções Artísticas no Espaço Público
RESIDÊNCIAS ARTÍSTICAS
A parceria estratégica entre a CONTEXTILE 2026 e a Guimarães Capital Verde Europeia 2026 materializa-se no programa de residências “Weaving the Green”, um laboratório vivo de arte e ecologia urbana. Estruturado em intervenções no espaço público e natural da cidade, o projeto desafia 9 artistas nacionais e internacionais a desenvolverem obras e propostas de Arte Pública em colaboração direta com a comunidade e parceiros locais.
Ao cruzar arte, ciência e o saber-fazer tradicional, as criações deste conjunto de residências artísticas ativam uma consciência ecológica urgente. Através do reaproveitamento crítico de resíduos têxteis e de vestuário descartado, do diálogo vivo com elementos naturais, como a força do vento e a botânica, e do resgate de matérias-primas orgânicas locais, o universo têxtil torna-se manifesto e provocação. Mais do que uma manifestação estética, “Weaving the Green” assume-se como uma prática de mediação que reinterpreta o território e as formas deprodução têxtil e propõe formas regenerativas de o coabitar.
Open Call Contextile
ALAN HERNÁNDEZ
México
Alan Hernández cruza escultura maleável, têxteis e espaço para explorar o corpo, o género, a sexualidade e a identidade queer e racializada. Herdeiro das técnicas manuais da mãe costureira e do pai soldador, o artista transforma o artesanato tradicional em obras autorreferenciais de forte pendor político e biográfico. Com formação na U.A.B.J.O e na UNAM, o seu trabalho tem sido exposto em importantes palcos internacionais, incluindo o Stedelijk Museum e a No Man’s Art Gallery, em Amesterdão.
SINOPSE
“Born in the Heat, Fed by the Thread” reconstrói o ritual da refeição através de uma instalação que recria uma mesa de jantar onde a comida é esculpida a partir de vestuário reciclado. Uma toalha de mesa produzida em residência, em diálogo com artesãos locais, junta o Bordado de Guimarães às técnicas tradicionais de Oaxaca, convidando o público a um “banquete de texturas” que critica o consumo e a crise ambiental.


Nascido no Calor, Alimentado pelo Fio
Born in the Heat, Fed by the Thread
Local Exposição
Mercado Municipal de Guimarães
Open Call Contextile
YEN-YU TSENG
Taiwan
Yen-Yu Tseng transforma tecidos descartados em memórias coletivas e diálogos sobre sustentabilidade. Aliando tradição e inovação, a artista combina a tecelagem digital Jacquard com uma técnica manual única de “envolvimento”, esculpindo têxteis reciclados sem qualquer costura. Com uma carreira internacional marcada por residências e exposições em importantes museus, Tseng cruza narrativas pessoais e identidade ambiental de forma sensível e inovadora.
SINOPSE
“In Between the Market and the Muse: A Regenerative Dialogue” (Entre o Mercado e a Musa: Um Diálogo Regenerativo) é uma intervenção site-specific que transforma o Mercado Municipal num laboratório vivo. A instalação cruza inovação e tradição ao ligar 10 tapeçarias Jacquard de grande escala, tecidas com lã local e o inovador fio de cortiça Cork-a-tex, que reinterpretam a pinturas de Aurélia de Sousa, às “Guardiãs do Mercado”, figuras esculpidas com resíduos recolhidos no próprio espaço. Ao envolver os vendedores em workshops para transformar resíduos em património, o projeto tece um diálogo regenerativo entre ecologia industrial, memória comunitária e arte contemporânea.

Entre o Mercado e a Musa: Um Diálogo Regenerativo
Local Exposição
Mercado Municipal de Guimarães
Parceria com a BILP – BIENAL INTERNACIOnal do Linho de Portneuf
MATHIEU FECTEAU
Canadá
Mathieu Fecteau desenvolve uma prática multifacetada que cruza a arte contemporânea, o artesanato tradicional e o espaço público. Reconhecido por vários prémios na sua terra natal, Fecteau alia o domínio técnico de saberes manuais diversos como o restauro em pedra, a marcenaria e a tecelagem, a uma forte vertente de mediação comunitária, utilizando oficinas artísticas como ferramentas de inclusão para os mais diversos públicos.
SINOPSE
“Tric-O-Vent” é uma máquina têxtil rudimentar construída em materiais naturais e reciclados: um moinho de vento que tricota à medida que o vento sopra, registando a sua força sob a forma têxtil- quanto mais ventoso o dia, mais comprida será a malha.

Tric-O-Vent
Local Exposição
Jardim do Mercado Municipal de Guimarães
Parceria com a BILP – BIENAL INTERNACIOnal do Linho de Portneuf
GUILLAUME BRISSON-DARVEAU
Canadá
Guillaume Brisson-Darveau é um artista e investigador sediado em Montreal, cuja prática se desenvolve na intersecção entre escultura, performance e moda, a partir de reflexões sobre o corpo, o corpo híbrido e a representação de corpos transformados nas sociedades contemporâneas. Atualmente, desenvolve o doutoramento em Estudos e Práticas Artísticas na Université du Québec à Montréal, centrando a sua investigação numa prática artística ligada ao vestuário.
SINOPSE
“O Monstro” é uma escultura monumental de cerca de quatro metros de altura com uma estrutura de ferro, totalmente revestida com têxteis provenientes de roupa em segunda mão, montados em camadas sucessivas. As roupas serão intervencionadas pelas comunidades locais, através de workshops orientados pelo artista. O vestuário torna-se fio condutor entre passado, presente e futuro do território têxtil, relacionando produção, uso, abandono e transformação.

O Monstro
Local Exposição
Praça em frente ao Monumento ao Conde de Arnoso
Prémio Residência Artística Contextile 2024
LARA SALOUS
Palestina
Lara Salous cruza arquitetura, design de interiores e arte contemporânea numa prática profundamente orientada para a sustentabilidade e a salvaguarda patrimonial. A sua investigação centra-se na lã natural bruta, resgatada através do contacto com comunidades beduínas tradicionais, como manifesto de resistência cultural e preservação de saberes locais face à realidade colonizada.
SINOPSE
“Colonial Pockets” (Resquícios Coloniais) confronta duas formas de colonialismo: os ataques às comunidades pastorais palestinianas e o capitalismo industrial que remodela economias locais e configurações dos territórios. Mantas de lã cardada representam as topografias da natureza invadida, e a suavidade do material age como símbolo de um território sob pressão.

Resquícios coloniais
Local Exposição
Arquivo Municipal de Guimarães
Residência Artística inserida na PLATAFORMA MAGIC CARPETS
COLETIVO PALMA – MIGUEL ÂNGELO MARQUES E CATARINA BRAGA
Portugal
O COLETIVO PALMA, formado em 2021, é constituído pelos artistas Miguel Ângelo Marques e Catarina Braga. Através de uma metodologia teórico-prática, o coletivo explora a envolvência de certas espécies de plantas no espaço urbano, materializando objetos artísticos que privilegiam a comunicação direcionada para um pensamento com as plantas.
SINOPSE
A intervenção parte de uma reflexão sobre comunidades de plantas e os efeitos da ação humana sobre os seus comportamentos e ecossistemas. Este pensamento é ampliado para o contexto vimaranense, cruzando a produção industrial têxtil do algodão com a presença e cultivo da planta em território nacional.
Instalada no exterior do Convento de Santo António dos Capuchos, a obra assumirá a forma de uma estrutura expositiva a céu aberto, composta por diferentes tecidos trabalhados em oficinas de criação com a comunidade. Entre planta, tecido, indústria e território, a peça propõe um espaço de investigação, encontro, memória e participação coletiva.


Pavilhão de Algodão
Local Exposição
Convento Sto. António dos Capuchos
Residência Artística inserida na PLATAFORMA MAGIC CARPETS
KRZYŚ BYKOWSKI
Polónia
KrzyŚ, sediado em Varsóvia, é licenciado em Sociologia pela Universidade de Wroclaw e frequenta o mestrado em Arte Multimédia na Academia de Belas-Artes de Varsóvia. É cofundador da Galeri Niczeje e vencedor do concurso OP_YOUNG 2025/2026. A sua prática centra-se nos processos de degradação dos objetos criados pelo ser humano e na forma como a natureza recupera espaços abandonados. O seu trabalho reflete sobre a impermanência, a relação entre o sintético e o orgânico e possíveis futuros pós-humanos.
SINOPSE
A obra aborda a fragilidade do artificial face à persistência da vida orgânica, transformando resíduos têxteis e roupas usadas em assemblages que refletem sobre a era pós-humana e o desperdício da fast fashion. As esculturas de tecido são tingidas com biopigmentos e expostas ao ar livre, permanecendo abertas às forças ambientais, celebrando a “matéria vibrante” recusando a ideia de um objeto fixo e evidenciam a vulnerabilidade dos materiais face à passagem do tempo.



Local Exposição
Convento Sto. António dos Capuchos
Residência Artística inserida na PLATAFORMA MAGIC CARPETS
AMBRE RAIMBAULT
França
Ambre Raimbault vive e trabalha em Nantes. É Mestre em Artes na Escola de Belas-Artes de Nantes Saint-Nazaire. Frequentou formações na quinta biológica Bec Hellouin, aprofundando o seu interesse pela permacultura, pelas plantas e pela preservação dos mundos vivos.A sua prática investiga a imagem através de processos fotográficos em diálogo com a materialidade têxtil. Ambre altera a imagem fotográfica, cruzando píxeis e pontos de trama.
SINOPSE
O processo de trabalho da artista cruza três abordagens – o bordado de Guimarães, o tingimento com plantas locais e a fotografia- resultando numa instalação de fotografias impressas em grande formato, pontuada por tecelagens realizadas com plantas e bordados.


Quando os nossos olhares se encontram
Local Exposição
Convento Sto. António dos Capuchos
IDOIA CUESTA
Espanha
Idoia Cuesta é uma artista que funde a cestaria e o têxtil na sua prática. Através do uso de técnicas artesanais e de materiais orgânicos, cria peças únicas que refletem a identidade da própria matéria-prima. O seu processo criativo é profundamente inspirado pela envolvência rural e pelo respeito pelo ambiente.
SINOPSE
Partindo de um paradoxo material (as lâminas de castanheiro que se transformam em fio durante o próprio ato de tecer), as peças resultam de uma residência em Guimarães onde Idoia Cuesta investiga materiais vegetais através de técnicas de cestaria e têxteis. A comunidade local participa diretamente no processo, configurando cada obra como um tecido coletivo.


Local Exposição
Museu de Alberto Sampaio