Prémios

Prémio Aquisição
Contextile 2026

DANIEL FERNÁNDEZ CARRILLO

MÉXICO

Paisaje revelado2024 
Lona de polietileno recuperada. 
Intervenção através de processos de abrasão física que alteram e revelam o entrelaçado/estrutura do material. 
1 peça, 150 × 300 cm, altura variável

Nesta obra, exploro a relação entre matéria, tempo e território através da intervenção numa lona de polietileno recuperada, um material industrial de fibras plásticas entrelaçadas que funciona como tecido urbano. No México, estas lonas fazem parte da paisagem quotidiana, cobrindo pátios, oficinas ou mercados para mediar entre o espaço doméstico e o ambiente urbano.

O desenho surge pelo desgaste da camada plástica. Em vez de acrescentar pigmento, vou erodindo gradualmente a superfície, replicando a deterioração natural causada pelo sol e pelo tempo. Esse gesto revela uma imagem: a paisagem urbana visível a partir do pátio onde a lona foi originalmente instalada.

Ao trabalhar com a deterioração do material, revelo a estrutura do seu entrelaçado. A lona surge como uma superfície onde memória e experiência se encontram, enquanto a imagem emergente permite vislumbrar uma arquitetura hostil que participa em dinâmicas de separação, controlo e regulação dos corpos no espaço urbano herdadas de lógicas coloniais.

Daniel C. Fernández é um artista visual cuja prática se desenvolve através da instalação, escultura, desenho e pintura, com particular interesse pelas qualidades materiais, plásticas e poéticas dos objetos. O seu trabalho explora processos de urbanização e a transformação da paisagem urbana, atentando nas narrativas que emergem do habitar, do movimento e do ato de atravessar a cidade.

1ª MENSÃO HONROSA
Contextile 2026

SALIMA HAKIM

INDONÉSIA

Week 1: Road to Homo Sapiens?
, 2021 – 2026
Pano cru de ALGODÃO CALICÓ, lona, fio sintético, tecido Dacron, cartão.
Ponto bordado à mão, costura
20 peças: 1 peça central (150 × 350 cm), 8 réplicas de diários (cada uma com 70 × 120 cm), 4 livros (formatos A5–A4), 7 réplicas de artefactos (15–25 cm), Diários 1 a 6, livros e réplicas de artefactos comissariados por: Sharjah Art Foundation, Emirados Árabes Unidos e CHAT (Centre for Heritage, Arts and Textile), Hong Kong.

Imitando uma sala de aula, um espaço de circulação do conhecimento “científico”, esta obra utiliza tecido e costura manual para propor uma versão feminina da icónica ilustração dos estágios da evolução humana, “the march of progress”(a marcha do progresso). Como esforço para replicar um espaço de educação formal, a obra apresenta também objetos cosidos à mão, frequentemente associados ao processo de produção e consumo de conhecimento, como revistas académicas, livros e espécimes, sobre as histórias e descobertas da evolução humana feminina, para abordar a falta de representação feminina na arqueologia, trazendo-a ficcionalmente para um contexto de sala de aula.

Salima Hakim é docente universitária e artista visual. Explora questões de representação de género na história e na arqueologia, usando a costura como abordagem técnica e metafórica no seu trabalho. Ela experimenta com a recolha e a fusão de dados científicos e ficcionais para questionar como o conhecimento é produzido, ao mesmo tempo que imagina e recria narrativas históricas ficcionais sobre mulheres. Na sua prática atual, trabalha frequentemente com bordado e tecido cosido à mão. Atualmente, leciona arte na Faculdade de Arte e Design da Universidade Multimedia Nusantara, em Tangerang, na Indonésia.

2ª MENSÃO HONROSA
Contextile 2026

RAUL MARTINEZ

ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA 

*Parabellum* (Map#3, 9mm, Guatemala)
Tapete tecido à mão
1 peça 166 × 255 cm
SÉRIE EM CURSO

“Parabellum* (Mapa n.º 3, 9 mm, Guatemala)” faz parte de “Maps”, uma série em curso de obras têxteis que exploram a indústria das armas. Baseado em metodologias forenses e noções de conceção de munições, o projeto utiliza as marcas encontradas em milhares de cartuchos usados como conjuntos de dados para traçar a circulação global de armas de fogo.

Raul Martinez é um artista e curador que fundou DETEXT em 2008, um coletivo online com um grupo variável de colaboradores sediados em Nova Iorque e Berlim. O coletivo utiliza textos encontrados – que vão desde perfis de sites de encontros online e spam sobre Viagra até anúncios de armas – para analisar a masculinidade hegemónica e os aspetos mais sombrios do sonho americano. Ganharam reconhecimento internacional pelos seus têxteis tecidos à mão a partir de cartuchos de balas, que constituem uma investigação crítica sobre a circulação global de armas de fogo.

O trabalho de DETEXT tem sido apresentado internacionalmente em bienais, museus e galerias, nos Estados Unidos, em Espanha e em Lausanne. As suas performances também foram apresentadas no MAD, em Nova Iorque, e no MUAC, na Cidade do México.