Escola Superior de Arte e Design
EMERGÊNCIAS
ESAD




















Autores / Authors
Ana Ferreira, Ana Ribeiro Sousa, Ana Rita Fragoso, Carolina Barroso Silva, Carolina Costa Rodrigues, Chiara Freire, Daniela Nogueira Pinto, Diogo Enes, Fabricio Marafona, Inês Branco, Joana Antunes, João Nadador, Sofia Moura da Rocha Matos, Tomás Ramalho Biscaia
“Cartografia do Desgaste”
Os corpos partem. A roupa fica.
Persiste para além de quem a vestiu – matéria sintética que não esquece, que não se dissolve, que atravessa o tempo acumulando-se em camadas, em fluxos de descarte, em geografias saturadas. Aqui, o vestuário permanece depois do fim do uso. Desgastado, queimado, contaminado, recomposto. Já não protege, já não representa – permanece. No chão, organiza-se como um campo de restos: um território onde o humano desapareceu, mas onde a sua presença insiste sob a forma de excesso. E, no entanto, algo irrompe. Entre as fibras mortas, insinuam-se matérias vivas – terra, algas, sementes – que germinam, lentamente, abrindo fissuras na superfície da ruína. Pequenos gestos de cor, de respiração, de tempo outro. Não promessa, mas possibilidade. Não redenção, mas desvio. O têxtil revela-se aqui como corpo político: aquilo que vestia torna-se aquilo que denuncia. Resíduo, arquivo, evidência de um sistema em falência – ciclos de produção e consumo que persistem para além de nós. Entre o que não morre e o que ainda nasce, a instalação sustenta essa tensão. Que por um fio, ainda, pode mudar.
— Escola Superior de Artes e Design
Projeto desenvolvido por estudantes da ESAD – Escola Superior de Artes e Design, sob coordenação dos docentes:
Helena Cordeiro, Marta Varzim, Paulo Seco, Rui Caldas and Rute Chaves.
“Cartography of Wear”
Bodies break away. Clothes remain.
They persist beyond the one who wore them – synthetic matter that does not forget, that does not dissolve, that moves through time, accumulating in layers, in flows of discard, in saturated geographies. Here, garments remain after use has ended. Worn, burned, contaminated, remade. They no longer protect, no longer represent – they remain. On the floor, they are arranged as a field of remnants: a territory in which the human has disappeared, yet whose presence persists in the form of excess. And yet, something breaks through. Among the dead fibres, living materials insinuate themselves – earth, algae, seeds – slowly germinating, opening fissures in the surface of ruin. Small gestures of colour, of breath, of other time. Not promise, but possibility. Not redemption, but deviation. Textiles are revealed here as a political body: what once clothed now becomes what denounces. Residue, archive, evidence of a system in failure – cycles of production and consumption that persist beyond us. Between what does not die and what is still born, the installation sustains this tension. A thread, still, may yet change everything.
— School of Arts and Design
Project developed by students at ESAD – School of Arts and Design, under the coordination of the teaching staff:
Helena Cordeiro, Marta Varzim, Paulo Seco, Rui Caldas and Rute Chaves.